Responsabilidade Social • 08:11h • 30 de março de 2026
Violência sexual atinge 1 em cada 5 adolescentes no Brasil, aponta estudo
PeNSE 2024 mostra que 18,5% dos estudantes já sofreram algum tipo de violência sexual; casos atingem principalmente meninas e ocorrem em diferentes contextos
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações do IBGE | Foto: Divulgação
A maior parte das violências sexuais contra adolescentes no Brasil ocorre dentro do próprio ambiente familiar, segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, divulgada pelo IBGE em parceria com os ministérios da Saúde e da Educação. O levantamento aponta que 18,5% dos estudantes de 13 a 17 anos já passaram por situações de violência sexual ao longo da vida.
A pesquisa, que ouviu alunos do ensino fundamental e médio das redes pública e privada, revela que esse tipo de violência inclui toques, manipulação, beijos forçados ou exposição do corpo sem consentimento. O problema é mais frequente entre meninas, com 26,0% relatando esse tipo de situação, mais que o dobro dos meninos, com 10,9%.
Em comparação com 2019, houve aumento de 3,8 pontos percentuais no total de estudantes que relataram já ter sofrido assédio sexual. O crescimento foi mais acentuado entre meninas, com alta de 5,9 pontos percentuais, e entre alunos da rede pública, com aumento de 4,2 pontos.
Os dados também mostram que 8,8% dos adolescentes afirmaram ter sido obrigados a manter relações sexuais contra a própria vontade, o que representa um aumento de 2,5 pontos percentuais em relação à edição anterior da pesquisa. Entre as meninas, esse índice chega a 11,7%.
Um dos pontos mais sensíveis do levantamento é o perfil dos agressores. Em 26,6% dos casos, os próprios familiares foram apontados como responsáveis pela violência. Outros agressores citados incluem pessoas desconhecidas, com 23,2%, e parceiros ou namorados, com 22,6%.
No recorte geral das situações de assédio, os estudantes também mencionaram “outra pessoa” em 24,6% dos casos, familiares em 24,4% e desconhecidos em 24,0%, indicando diversidade de contextos, mas com forte presença do ambiente próximo à vítima.
A pesquisa evidencia que a violência sexual atinge todas as regiões do país, com maior prevalência no Norte, onde 11,7% dos estudantes relataram ter sido obrigados a manter relações sexuais. Estados como Amazonas, Amapá e Tocantins apresentam os maiores índices.
Outro dado que chama atenção é a idade das vítimas. Entre os cerca de 1,1 milhão de adolescentes que relataram ter sido obrigados a ter relações sexuais, 66,2% tinham até 13 anos quando o episódio ocorreu, o que reforça a gravidade e a precocidade dos casos.
O levantamento também mostra variações regionais no perfil dos agressores. Em alguns estados, há maior incidência de violência praticada por parceiros, amigos ou familiares, indicando diferentes dinâmicas locais.
Os dados da PeNSE reforçam a necessidade de políticas públicas voltadas à prevenção, identificação precoce e proteção de crianças e adolescentes, além de ampliar o debate sobre violência sexual em ambientes familiares e sociais.
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