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Mundo • 16:47h • 21 de maio de 2026

Violência sexual atinge 64 meninas por dia no país

Meninas negras até 17 anos seguem como as principais vítimas

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1

A série histórica revela que o crescimento da violência sexual contra meninas até 17 anos na última década é considerado alarmante.
A série histórica revela que o crescimento da violência sexual contra meninas até 17 anos na última década é considerado alarmante.

Entre 2011 e 2024, mais de 308 mil meninas de até 17 anos sofreram violência sexual no Brasil. Isso representa uma média de 64 vítimas por dia ao longo dos últimos anos.

Somente em 2024, foram registrados 45.435 casos, o equivalente a quase 3,8 mil notificações por mês.

Os dados fazem parte do Mapa Nacional da Violência de Gênero, divulgado para marcar o Dia Nacional do Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. O levantamento utiliza informações do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde.

O estudo é resultado de uma parceria entre o Observatório da Mulher contra a Violência do Senado Federal, o Instituto Natura e a Associação Gênero e Número.

Segundo os pesquisadores, os números ainda podem ser maiores, já que muitos casos não chegam a ser denunciados ou registrados oficialmente.

Subnotificação ainda é desafio

A diretora-executiva da Associação Gênero e Número, Vitória Régia da Silva, afirma que a violência sexual continua sendo fortemente subnotificada no país.

Ela destaca ainda problemas relacionados à qualidade das informações e à integração dos bancos de dados públicos, o que dificulta o desenvolvimento de políticas públicas mais eficazes.

Casos seguem em alta

A série histórica mostra um crescimento de 29,35% nos casos de violência sexual contra meninas desde 2011.

A única queda aconteceu em 2020, durante a pandemia da covid-19. Especialistas acreditam que a redução naquele período tenha ocorrido por causa da diminuição das denúncias e notificações.

Já em 2021, os registros voltaram a crescer. O maior aumento ocorreu em 2023, quando os casos subiram 37,22%.

Em 2024, a tendência de alta continua.

Para a coordenadora do Observatório da Mulher contra a Violência do Senado, Maria Teresa Prado, os números reforçam a necessidade urgente de fortalecer políticas públicas de prevenção e proteção de crianças e adolescentes.

Meninas negras são maioria entre as vítimas

O levantamento mostra que meninas negras — pardas e pretas — representam a maior parte das vítimas de violência sexual no país.

Entre 2011 e 2024, elas corresponderam a 56,5% dos casos registrados.

Somente em 2024, meninas negras foram vítimas em mais de 23 mil notificações, o equivalente a mais da metade dos casos registrados no ano.

As meninas brancas aparecem em seguida, com 16.771 registros. Também houve casos envolvendo crianças e adolescentes indígenas e amarelas.

Violência acontece dentro de casa

Pais, mães, padrastos, madrastas e irmãos aparecem frequentemente entre os autores das violências sexuais contra meninas.

Segundo a análise técnica, cerca de um terço dos casos registrados entre 2011 e 2024 envolvia algum familiar próximo da vítima.

A antropóloga Beatriz Accioly, do Instituto Natura, afirma que os dados desmontam a ideia de que a violência sexual é cometida apenas por desconhecidos.

Ela destaca que muitas vezes o perigo está dentro da própria casa e que crianças nem sempre conseguem pedir ajuda de forma explícita.

Saúde e educação são fundamentais para identificar casos

Especialistas apontam que profissionais da saúde e da educação têm papel essencial no combate à violência sexual infantil.

Isso porque, muitas vezes, são eles os primeiros a perceber mudanças de comportamento, sinais físicos ou indícios de abuso.

Segundo Beatriz Accioly, crianças dificilmente procuram sozinhas uma delegacia, o que torna escolas e unidades de saúde portas de entrada importantes para denúncias e proteção.

Crianças e adolescentes estão entre as maiores vítimas

O levantamento aponta que crianças e adolescentes formam o segundo grupo etário mais atingido pela violência sexual no Brasil, atrás apenas de jovens entre 18 e 29 anos.

Dados do primeiro trimestre de 2025 mostram que, dos 8.662 casos registrados no período, 2.776 tinham crianças ou adolescentes como vítimas.

Meninas são as principais vítimas

Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostram que meninas são as principais vítimas de estupro de vulnerável no país.

Em 2024, quase 56 mil meninas sofreram esse tipo de violência, enquanto o número de vítimas masculinas ficou em pouco mais de 11 mil.

Isso significa que, para cada menino vítima, houve cerca de cinco meninas violentadas.

Entre as meninas, a faixa etária mais atingida é a dos 13 anos.

Disque 100 registra aumento das denúncias

O Disque 100 registrou mais de 32,7 mil denúncias de violência sexual contra crianças e adolescentes entre janeiro e abril de 2026.

O número representa aumento de quase 50% em relação ao mesmo período do ano anterior.

As denúncias fazem parte de um total de 116,8 mil registros recebidos pelo serviço nos quatro primeiros meses do ano.

Como denunciar

Casos de suspeita ou confirmação de violência sexual contra crianças e adolescentes podem ser denunciados pelo Disque 100.

O serviço é gratuito, funciona 24 horas por dia e permite denúncias anônimas.

As ocorrências são encaminhadas para órgãos responsáveis, como Conselho Tutelar, Ministério Público, delegacias especializadas e serviços de assistência social.

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