Saúde • 08:19h • 15 de abril de 2026
Violência sexual aumenta riscos cardiovasculares em mulheres
Estudo aponta que vítimas têm 74% mais chance de doenças cardíacas
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1
Meninas e mulheres que sofrem violência sexual não enfrentam apenas consequências físicas e psicológicas imediatas. Esses episódios podem aumentar em até 74% o risco de desenvolvimento de doenças cardíacas, segundo um estudo baseado em dados oficiais do Brasil.
A pesquisa, publicada na revista Cadernos de Saúde Pública, também analisou doenças específicas. Mulheres vítimas de violência sexual apresentaram maior incidência de infarto do miocárdio e arritmias em comparação com aquelas que não passaram por esse tipo de situação. Já nos casos de angina e insuficiência cardíaca, não houve diferenças relevantes.
As conclusões foram obtidas a partir da análise de dados da Pesquisa Nacional de Saúde, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística em 2019. O levantamento, considerado o principal estudo sobre a saúde da população brasileira, reuniu mais de 70 mil entrevistas e permitiu cruzar informações sobre violência sexual e doenças cardiovasculares.
Para garantir maior precisão, os pesquisadores utilizaram métodos estatísticos que controlaram fatores como idade, cor da pele, escolaridade, orientação sexual e região de moradia, isolando o impacto da violência nos resultados.
Os especialistas destacam que os efeitos da violência sexual vão além da saúde mental. O trauma pode desencadear uma série de reações no organismo, como aumento da inflamação, alterações na pressão arterial e na frequência cardíaca, fatores que contribuem para o surgimento de doenças cardiovasculares.
Além disso, experiências traumáticas podem levar a comportamentos prejudiciais à saúde, como tabagismo, consumo excessivo de álcool, uso de drogas, alimentação inadequada e sedentarismo, o que também eleva os riscos.
O estudo reforça que a violência sexual é um problema relevante de saúde pública no país. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde indicam que 8,61% das mulheres relataram ter sofrido esse tipo de violência ao longo da vida, enquanto entre os homens o índice foi de 2,1%.
Os pesquisadores alertam, porém, que há subnotificação, especialmente entre homens, já que muitas vítimas não reconhecem ou não se sentem confortáveis em relatar a violência.
Os resultados apontam para a necessidade de atenção tanto no atendimento às vítimas quanto no cuidado com doenças cardiovasculares, destacando a importância de considerar fatores sociais e emocionais na prevenção e no tratamento dessas condições.
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