Variedades • 14:51h • 25 de janeiro de 2026
Virada da vida adulta pode ocorrer só aos 32 anos, apontam estudos sobre maturação do cérebro
Pesquisa internacional e avaliação clínica indicam que fatores sociais e tecnológicos contribuem para a chamada adolescência estendida
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da SemFronteiras Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
Celebrado discretamente no meio de janeiro, o Dia do Adulto voltou ao debate neste início de ano ao levantar uma pergunta incômoda para muitas pessoas: quando, de fato, começa a vida adulta. Embora a maioridade legal seja atingida aos 18 anos, pesquisas recentes sugerem que o cérebro humano só completa sua fase de maturação por volta dos 32 anos, o que ajuda a explicar mudanças no comportamento, na tomada de decisões e na forma como diferentes gerações encaram responsabilidades.
Um estudo conduzido pela Universidade de Cambridge identificou quatro grandes momentos de transformação ao longo da vida, aos 9, 32, 66 e 83 anos. Cada um desses períodos marca o início de uma nova etapa de reorganização cerebral. Entre eles, a transição em torno dos 32 anos chama atenção por estar associada ao encerramento de um ciclo intenso de mudanças neurológicas tradicionalmente ligadas à juventude.
Para a psicóloga Aparecida Tavares, que atua no Órion Complex, essa virada não pode ser analisada apenas sob o ponto de vista biológico. Segundo ela, a maturação do cérebro é profundamente influenciada pelo ambiente social, cultural e emocional em que o indivíduo está inserido. “A pergunta central é se a sociedade tem estimulado esse cérebro para que essas maturações ocorram no tempo esperado”, avalia.
Na análise da especialista, o avanço tecnológico e a lógica do imediatismo impactam diretamente o córtex pré-frontal, região responsável pelo planejamento, pelo controle dos impulsos e pela tomada de decisões. A substituição de interações presenciais por relações mediadas por telas pode comprometer processos fundamentais de aprendizagem emocional. “Somos seres sociais, e a aprendizagem acontece na troca, no convívio real”, afirma.
No atendimento clínico, Aparecida observa um padrão recorrente entre jovens adultos, como insegurança, dificuldades de interação social, insatisfação com a própria imagem e maior dependência emocional. Segundo ela, há uma busca constante por prazer imediato, com pouco espaço para reflexão e planejamento de longo prazo. “É uma ambivalência permanente entre o sim e o não na vida”, descreve.
Embora reconheça que a adolescência possa se estender em determinados contextos, a psicóloga destaca que o problema não está apenas na duração dessa fase, mas na forma como ela vem sendo vivida. “A vida é tempo e tem relógio, inclusive biológico. Não basta nutrir apenas o corpo, é preciso nutrir a mente com conteúdos que resgatem o valor do ser humano”, afirma.
Os efeitos dessa imaturidade prolongada, segundo a especialista, extrapolam o indivíduo e atingem a sociedade como um todo. “Há impactos sociais e econômicos. O país deixa de crescer, de evoluir e de ter pessoas engajadas no bem-estar coletivo”, conclui, ao propor uma reflexão sobre os estímulos e interesses que moldam o comportamento contemporâneo.
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