Educação • 17:25h • 26 de julho de 2026
Vivência em aldeia leva pedagoga a repensar o papel da escola na formação das crianças
Experiência vivida em aldeia amazônica inspira práticas que fortalecem a participação da comunidade, a convivência e a formação humana dentro da escola
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da No Ar Assessoria | Foto: Divulgação
Em um momento em que a inteligência artificial ocupa cada vez mais espaço nos debates sobre educação, especialistas lembram que um dos fatores mais importantes para a aprendizagem continua sendo o sentimento de pertencimento.
Estudos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), responsável pelo Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), indicam que alunos que se sentem parte da comunidade escolar tendem a apresentar maior motivação, melhor desempenho acadêmico e mais bem-estar.
Às vésperas do Dia Internacional dos Povos Indígenas, celebrado em 9 de agosto, a pedagoga e diretora da Escola Pedro Apóstolo, Carolina Paschoal, compartilha os aprendizados de uma imersão com o povo Amondawa, em Rondônia, e mostra como essa experiência vem influenciando novas práticas na educação.
Educação acontece em todos os momentos da vida
Após conviver com a comunidade indígena na Terra Indígena Uru-Eu-Wau-Wau, Carolina afirma que passou a enxergar a educação para além da sala de aula.
"Na aldeia, compreendi que a pergunta mais importante talvez não seja como ensinar melhor uma criança, mas como prepará-la para a vida. A educação acontece o tempo todo, nas relações, nos exemplos e no compromisso coletivo com o desenvolvimento das novas gerações", afirma.
Segundo a educadora, um dos aspectos que mais chamou sua atenção foi a responsabilidade compartilhada entre todos os adultos na formação das crianças.
Sentimento de comunidade fortalece o desenvolvimento infantil
Na avaliação de Carolina Paschoal, enquanto nas cidades a educação costuma ser atribuída principalmente à família e à escola, na aldeia a formação das crianças é compreendida como uma responsabilidade coletiva.
"Cada adulto entende que também é responsável pelas crianças que estão crescendo ali. Todos orientam, acolhem, corrigem e celebram. Isso fortalece um sentimento de pertencimento que hoje faz muita falta em nossa sociedade", destaca.
Para ela, esse modelo favorece vínculos mais fortes entre crianças, famílias e comunidade, criando um ambiente mais acolhedor para o desenvolvimento.
Experiência inspira mudanças na rotina escolar
Os aprendizados vividos durante a imersão já começam a influenciar o cotidiano da Escola Pedro Apóstolo.
Em vez de desenvolver apenas um projeto específico sobre cultura indígena, a proposta é incorporar essas reflexões às práticas diárias, ampliando a participação das famílias, fortalecendo a convivência entre diferentes gerações e incentivando o cuidado coletivo com os espaços da escola.
Também estão entre os objetivos estimular o sentimento de pertencimento dos estudantes e aproximar o aprendizado das experiências do dia a dia, valorizando atividades de observação, investigação e convivência.
Tecnologia amplia possibilidades, mas não substitui as relações humanas
Para Carolina Paschoal, ferramentas como a inteligência artificial podem contribuir para o processo de aprendizagem, mas não substituem aspectos fundamentais da formação das crianças.
"A inteligência artificial pode ampliar possibilidades de aprendizagem, mas nenhuma tecnologia substitui aquilo que forma verdadeiramente uma criança: a convivência, o exemplo e o sentimento de fazer parte de uma comunidade", conclui.
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