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Variedades • 20:13h • 06 de fevereiro de 2026

Você ouve, mas não entende? Transtorno auditivo afeta milhões de brasileiros

TPAC afeta crianças, adultos e idosos, interfere na aprendizagem, no trabalho e na vida social, e ainda é confundido com desatenção, estresse ou envelhecimento

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Baronesa | Foto: Arquivo/Âncora1

Transtorno auditivo pouco conhecido pode explicar por que ouvir não significa entender
Transtorno auditivo pouco conhecido pode explicar por que ouvir não significa entender

Dificuldade para entender conversas em ambientes barulhentos, pedidos frequentes para repetir frases, cansaço mental após reuniões, irritação com sons do cotidiano e queda no rendimento escolar ou profissional podem ter uma causa pouco conhecida no Brasil, o Transtorno do Processamento Auditivo Central. A condição afeta pessoas de diferentes idades e costuma passar despercebida, mesmo quando exames auditivos indicam audição dentro da normalidade.

O Transtorno do Processamento Auditivo Central, conhecido como TPAC, ocorre quando o cérebro apresenta dificuldade para organizar, interpretar e dar significado aos sons recebidos. Diferentemente da perda auditiva, o problema não está na capacidade de ouvir, mas na forma como o sistema nervoso central processa as informações sonoras. Dados da American Speech-Language-Hearing Association indicam que entre 2% e 5% das crianças em idade escolar apresentam alterações no processamento auditivo. Em adultos e idosos, a prevalência é menos precisa, mas estudos apontam índices relevantes, especialmente entre pessoas expostas a ambientes ruidosos, com comorbidades associadas ou em processo de envelhecimento.

A fonoaudióloga Dra. Andréa Paz, PhD em Fonoaudiologia e especialista em Audiologia e Processamento Auditivo, explica que o processamento auditivo é uma função cerebral complexa. Segundo ela, não basta captar o som, o cérebro precisa conseguir analisá-lo, separar o que é relevante do que é ruído e compreender a mensagem transmitida.

Transtorno nas fases da vida

Na infância, o transtorno costuma se manifestar por dificuldades de aprendizagem, leitura e escrita. Muitas crianças com TPAC são rotuladas como desatentas ou desinteressadas, quando, na prática, estão em esforço constante para entender o que o professor diz em salas de aula ruidosas. Esse cenário contribui para baixo rendimento escolar e impacto emocional, especialmente quando o diagnóstico correto demora a acontecer.

Na vida adulta, os sinais assumem outras formas. Dificuldade para acompanhar reuniões, aprender novos idiomas, manter a concentração em conversas longas e tolerar ambientes com muitos estímulos sonoros são queixas recorrentes. A especialista aponta que esse esforço auditivo constante leva ao cansaço extremo e à queda de produtividade, fazendo com que muitos adultos passem a evitar interações sociais e situações profissionais que exigem escuta prolongada.

Entre idosos, o processamento auditivo também merece atenção específica. Estudos indicam que o envelhecimento pode comprometer a forma como o cérebro lida com sons competitivos, mesmo quando a audição periférica está preservada. A Organização Mundial da Saúde estima que mais de 25% das pessoas com mais de 60 anos relatam dificuldade para compreender a fala em ambientes ruidosos, o que afeta diretamente a socialização e a saúde mental.

O contexto contemporâneo tende a agravar o problema. A exposição prolongada ao ruído urbano, o uso intenso de fones de ouvido, o excesso de telas e ambientes cada vez mais sonoros sobrecarregam o sistema auditivo central. A Organização Mundial da Saúde alerta que o ruído constante pode gerar efeitos cognitivos e emocionais, como estresse, fadiga mental e dificuldade de concentração.

Diagnóstico especializado

O diagnóstico do TPAC é realizado por meio de avaliação fonoaudiológica especializada, com testes específicos que analisam como o cérebro processa diferentes estímulos sonoros. O tratamento envolve o Treinamento Auditivo, que busca reorganizar as habilidades auditivas e cognitivas de forma individualizada. Segundo a Dra. Andréa Paz, não existe um protocolo único, já que cada cérebro responde de maneira distinta, exigindo abordagem personalizada e baseada em evidências científicas.

Para especialistas, ampliar o conhecimento sobre o Transtorno do Processamento Auditivo Central é essencial para reduzir diagnósticos equivocados e sofrimento desnecessário ao longo da vida. Reconhecer que o problema não está relacionado à falta de atenção ou esforço, mas a uma dificuldade real de processamento cerebral, permite intervenções mais eficazes e contribui para a recuperação da autonomia, do desempenho e da qualidade de vida.

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