Saúde • 16:43h • 11 de junho de 2026
Você treina por saúde ou está copiando a rotina de um atleta sem perceber?
Com a Copa do Mundo em andamento, nutricionista alerta que isotônicos, shakes e produtos hiperproteicos nem sempre são indicados para quem pratica atividade física apenas por lazer
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Textual Comunicação | Foto: Arquivo/Âncora1
A Copa do Mundo costuma colocar os hábitos dos grandes jogadores sob os holofotes. Além das jogadas e dos treinos, não passam despercebidos os isotônicos à beira do gramado, os shakes de proteína, as barrinhas energéticas e uma série de produtos associados à alta performance. O problema, segundo especialistas, é quando esse padrão alimentar acaba sendo reproduzido por pessoas que não têm a mesma rotina de exercícios.
Para a nutricionista Ellen Rose Azevedo de Gasgon, professora do curso de Nutrição da Universidade Anhembi Morumbi, a alimentação de um atleta profissional é planejada para atender um organismo submetido a uma demanda física extrema. "Quando uma pessoa comum replica esse padrão sem ter o mesmo gasto energético, pode acabar consumindo nutrientes em excesso e gerar desequilíbrios no organismo", explica.
Nem todo treino exige isotônico e suplementação
Um dos equívocos mais comuns é acreditar que isotônicos são necessários após qualquer atividade física. De acordo com a especialista, essas bebidas foram desenvolvidas para repor líquidos e eletrólitos perdidos em exercícios intensos e prolongados, situação muito diferente da realidade da maioria das pessoas.
"Para quem faz caminhadas, musculação recreativa ou atividades moderadas, a água costuma ser suficiente. Em muitos casos, uma alimentação equilibrada já fornece naturalmente os eletrólitos necessários para a recuperação", afirma.
Ela destaca que frutas, água de coco e refeições balanceadas cumprem bem esse papel no dia a dia. Já o consumo frequente de isotônicos, sem necessidade, pode elevar a ingestão de açúcar, sódio e corantes, impactando negativamente a saúde e até favorecendo o aumento da pressão arterial.
Mais proteína nem sempre significa mais saúde
Outro fenômeno que ganhou força nos últimos anos é a explosão dos chamados produtos hiperproteicos. Iogurtes, chocolates, cafés prontos, sorvetes e até sobremesas passaram a destacar no rótulo a alta concentração de proteína, criando a ideia de que esse nutriente, por si só, é sinônimo de alimentação saudável.
Segundo Ellen, esse raciocínio pode ser enganoso. "Muitas pessoas acreditam que quanto mais proteína consumirem, melhores serão os resultados. Mas o excesso pode sobrecarregar a função renal, aumentar a ingestão calórica, causar desconfortos intestinais e até comprometer o consumo de outros nutrientes importantes", alerta.
Ela lembra que, para grande parte da população, um café da manhã simples, com ovos, leite, queijo ou iogurte natural, já atende às necessidades diárias sem a necessidade de recorrer a produtos industrializados.
Rótulo "fitness" não é garantia de qualidade
A especialista orienta que o consumidor vá além das embalagens e observe a composição dos alimentos. Muitos produtos vendidos como ricos em proteína continuam sendo ultraprocessados e apresentam altos níveis de açúcar, gordura, sódio, adoçantes e aditivos químicos.
"O principal ponto de atenção é que 'rico em proteína' não significa automaticamente saudável. É preciso avaliar o produto como um todo e entender se ele realmente faz sentido para a rotina daquela pessoa", explica.
No fim das contas, a principal lição é que a dieta ideal depende do perfil e das necessidades de cada indivíduo. Enquanto atletas profissionais seguem estratégias nutricionais específicas para sustentar uma rotina de alto rendimento, quem pratica atividade física por saúde ou lazer tende a obter melhores resultados com uma alimentação equilibrada, variada e ajustada à própria realidade.
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