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Educação • 09:43h • 09 de fevereiro de 2026

Volta às aulas, choro e insegurança: o que é esperado no início da vida escolar

Processo é individual, pode envolver choro, regressões e mudanças de comportamento, e exige acolhimento de escola e família

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da V3com Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1

Choro na porta da escola é normal? Especialista explica como funciona a adaptação infantil no início das aulas
Choro na porta da escola é normal? Especialista explica como funciona a adaptação infantil no início das aulas

O início do ano letivo costuma despertar expectativas e inseguranças entre pais e responsáveis, especialmente quando envolve crianças pequenas ou alunos que estão ingressando nos primeiros anos do Ensino Fundamental. O choro na entrada da escola, comum nesse período, faz parte do processo de adaptação e não deve ser interpretado automaticamente como sinal de problema.

Segundo Mariana Custódio, coordenadora da Educação Infantil e dos Anos Iniciais da Escola Champagnat Prudente, a adaptação escolar não segue um padrão único. Cada criança reage de forma diferente à nova rotina, ao ambiente desconhecido e à separação temporária da família. “A maior confusão é achar que esse momento é padronizado e igual para todos os alunos. Cada criança vive a adaptação do seu próprio jeito. O choro, quando acolhido, ajuda a criança a se reorganizar emocionalmente, ganhar segurança e construir vínculo com a escola”, explica.

Comportamentos esperados nas primeiras semanas

De acordo com a especialista, alguns sinais são considerados normais no início das aulas. Entre eles estão choro na entrada da escola, maior sensibilidade emocional em casa, alterações no sono e na alimentação e pequenas regressões comportamentais, como querer mais colo, chupeta ou acordar durante a noite. Essas reações tendem a diminuir à medida que a criança se sente segura no novo ambiente e cria vínculos com educadores e colegas.

Nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, o processo também ocorre, ainda que de forma diferente. Mudanças na rotina, novos professores, aumento das responsabilidades e exigências pedagógicas podem gerar insegurança, resistência inicial e maior sensibilidade emocional. “Nesses casos, o acolhimento, a escuta atenta e a construção gradual da autonomia ajudam o aluno a se sentir confiante nessa nova etapa”, afirma Mariana.

Sinais de adaptação saudável e quando observar com mais atenção

Entre os indícios de que o processo está evoluindo bem estão a diminuição progressiva do choro, a aceitação do educador como referência, a curiosidade pelo espaço escolar e pelas atividades, além da manutenção do vínculo afetivo com a família.

Por outro lado, alguns quadros exigem acompanhamento mais próximo, como choro intenso e inconsolável durante todo o período escolar, recusa persistente em comer ou brincar, apatia ou sofrimento que não diminui após três ou quatro semanas. “Nesses casos, não se trata de retirar a criança da escola, mas de ajustar a estratégia em parceria com a família, respeitando o ritmo individual”, orienta a coordenadora.

Acolhimento é planejado e faz parte da rotina escolar

Na Escola Champagnat Prudente, o período inicial é estruturado para oferecer segurança emocional às crianças. Entre as estratégias adotadas estão permanência gradual quando necessário, maior proximidade dos educadores, grupos menores no início e flexibilização da rotina. “A observação é individual e a comunicação com a família é constante. A escola funciona como uma ponte emocional, ajudando a criança a confiar fora do núcleo familiar”, explica Mariana.

Despedida influencia diretamente na adaptação

A forma como pais e responsáveis se despedem da criança também impacta o processo. A orientação é evitar sair escondido, prolongar excessivamente a despedida ou demonstrar insegurança. “O ideal é uma despedida breve, firme e afetuosa. Avisar que vai embora, dar um beijo, dizer ‘até logo’ e transmitir segurança. Quando o adulto demonstra confiança, a criança se sente mais protegida”, destaca.

A organização da rotina em casa também contribui. Ajustar horários de sono antes do início das aulas, manter previsibilidade e evitar excesso de estímulos após a escola ajudam a reduzir a ansiedade infantil.

Choro e conflitos fazem parte do desenvolvimento

O choro na entrada da escola pode persistir por um período e ainda assim ser considerado esperado. Segundo a especialista, o papel da família é acolher o sentimento, mas sustentar a ida à escola. “Quando o adulto demonstra que confia na capacidade da criança, ela internaliza essa segurança”, afirma.

Conflitos entre crianças pequenas, como mordidas, também fazem parte do desenvolvimento emocional. “A linguagem ainda está em construção e as emoções são intensas. Não se trata de agressão consciente. A escola intervém de forma educativa, sem rótulos, ensinando outras formas de expressão”, explica.

Situações que exigem ainda mais cuidado

Crianças que iniciam a vida escolar a partir dos 2 anos ou que chegam de outra instituição costumam enfrentar um período de adaptação mais delicado, pois lidam também com a ruptura de vínculos anteriores. “É importante respeitar esse momento como um processo de mudança, sem comparações com a escola anterior. Rotina previsível, presença constante do adulto e muito afeto ajudam a criança a se sentir segura”, orienta Mariana.

Para a coordenadora, a parceria entre escola e família é determinante para que a criança desenvolva confiança, construa novos vínculos e esteja emocionalmente preparada para aprender.

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