Ciência e Tecnologia • 13:51h • 21 de julho de 2026
Vontade de comer doce nem sempre é falta de controle; ciência explica o que acontece no organismo
Especialista explica como hormônios, sono, estresse, intestino e cérebro influenciam o desejo por açúcar e aponta estratégias para reduzir esse impulso de forma saudável
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da RTA Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
Quem nunca sentiu aquela vontade quase irresistível de comer um doce, mesmo sem estar com fome? Embora muitas pessoas associem esse comportamento apenas à falta de disciplina, a ciência mostra que o desejo por alimentos açucarados é resultado de uma combinação de fatores biológicos, hormonais e comportamentais que atuam simultaneamente no organismo.
Segundo a nutricionista Adriana Stavro, mestre pelo Centro Universitário São Camilo, compreender esses mecanismos é fundamental para desenvolver uma relação mais equilibrada com a alimentação, sem depender apenas de restrições ou força de vontade.
O cérebro não é o único responsável pela vontade de comer doces
Estudos mostram que alimentos ricos em açúcar e gordura ativam os chamados circuitos de recompensa do cérebro, relacionados ao prazer, à motivação e ao reforço positivo. Esse mecanismo ajuda a explicar por que doces costumam despertar tanto interesse.
No entanto, Adriana destaca que o desejo por açúcar vai muito além da ação cerebral. "A vontade de comer doces resulta da interação entre cérebro, metabolismo, hormônios, qualidade do sono, estresse, emoções e ambiente alimentar. Não existe uma única causa para esse comportamento."
Hormônios também influenciam o apetite
Entre os principais fatores envolvidos estão os hormônios responsáveis pelo controle da fome e da saciedade.
A insulina participa da regulação da glicemia e pode favorecer oscilações no apetite quando a alimentação é rica em carboidratos refinados e pobre em fibras e proteínas.
Já a leptina e a grelina atuam diretamente na comunicação entre o organismo e o cérebro. Enquanto a leptina sinaliza saciedade, a grelina estimula a fome. Alterações no sono, no metabolismo e no ritmo biológico podem interferir nesse equilíbrio.
Outro hormônio importante é o cortisol. Em situações frequentes de estresse, seus níveis podem aumentar e favorecer a busca por alimentos ricos em açúcar e gordura.

Sono, emoções e intestino também entram nessa conta
Dormir pouco ou mal também influencia o desejo por doces. A privação de sono altera sinais hormonais e neurobiológicos ligados ao apetite e aos sistemas de recompensa, aumentando a preferência por alimentos altamente calóricos.
Além disso, neurotransmissores como serotonina e dopamina participam da regulação do humor, da motivação e da sensação de prazer. A serotonina, inclusive, é produzida predominantemente no intestino, reforçando a importância da saúde intestinal para o equilíbrio do organismo.
Segundo Stavro, fatores emocionais e o ambiente alimentar também têm peso importante nesse processo. "O fácil acesso a alimentos ultraprocessados, a publicidade, as redes sociais e até os hábitos construídos desde a infância influenciam diretamente nossas escolhas alimentares."
Nutrição busca equilíbrio, não restrição
Para a especialista, estratégias baseadas apenas em cortar doces costumam produzir resultados limitados.
O foco deve estar na construção de uma alimentação capaz de promover maior saciedade, estabilidade metabólica e equilíbrio da microbiota intestinal, reduzindo naturalmente a vontade de consumir açúcar.
Entre os alimentos que podem favorecer esse processo estão frutas, verduras, legumes, cereais integrais, aveia, leguminosas, proteínas, iogurtes naturais, kefir, oleaginosas, azeite de oliva, peixes ricos em ômega-3 e alimentos fontes de triptofano, como ovos, banana e castanhas.
Pequenas mudanças podem fazer diferença
Além da alimentação, alguns hábitos podem contribuir para reduzir o consumo excessivo de doces.
Praticar alimentação com atenção plena, mastigar devagar, identificar se a vontade de comer está ligada à fome ou às emoções, organizar o ambiente alimentar e manter uma rotina adequada de sono são estratégias que ajudam a melhorar o controle do apetite.
A nutricionista ressalta que suplementos como cromo e 5-HTP podem ser considerados em situações específicas, mas somente após avaliação individual e acompanhamento de um profissional de saúde.
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