Responsabilidade Social • 13:27h • 07 de março de 2026
Vítimas de feminicídio aumentaram 96% no estado de SP, em quatro anos
No país, a alta no mesmo período foi de 14,5%
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1
O número de vítimas de feminicídio no estado de São Paulo quase dobrou nos últimos quatro anos. Em 2021, foram registradas 136 mortes. Já em 2025, o total chegou a 270 — um aumento de 96,4%. Entre os estados do Sudeste, São Paulo concentra 41% dos casos. Os dados são do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
Segundo a entidade, o crescimento chama atenção pelo volume e pela rapidez com que ocorreu, especialmente em um estado que já apresentava boa qualidade no registro desse tipo de crime. Para o fórum, os casos recentes que ganharam destaque na imprensa refletem uma tendência que também aparece nas estatísticas.
No Brasil como um todo, o aumento foi menor, mas ainda preocupante. Entre 2021 e 2025, o crescimento foi de 14,5%. Apenas em 2025, 1.568 mulheres foram vítimas de feminicídio no país. Após altas mais moderadas entre 2022 e 2024, houve novo salto em 2025, indicando agravamento do problema.
O levantamento aponta que, enquanto as mortes de mulheres ligadas à violência urbana — como conflitos armados e disputas do tráfico — apresentam queda, os assassinatos em contextos domésticos e familiares continuam crescendo. Isso mostra que a violência baseada em gênero dentro de casa permanece forte e, em alguns casos, mais letal.
Outros crimes contra mulheres, como ameaça, perseguição, violência psicológica, agressão física, estupro e tentativa de feminicídio, também vêm aumentando de forma consistente no país.
De acordo com o FBSP, a violência doméstica é influenciada por fatores como desigualdade de gênero, padrões culturais de dominação masculina e falhas na rede de proteção. Diferentemente da violência urbana, ela não se resolve apenas com políticas tradicionais de segurança pública.
Outro dado preocupante é que, entre os casos com informação disponível, 13,1% das vítimas tinham medida protetiva de urgência quando foram mortas. Para o fórum, isso mostra que a concessão da medida judicial, embora importante, nem sempre é suficiente para evitar o desfecho fatal.
A entidade avalia que o Brasil já possui uma das legislações mais avançadas do mundo na proteção às mulheres, e que o feminicídio tem atualmente a pena mais alta prevista no Código Penal. O desafio, segundo o fórum, não é criar novas leis, mas garantir que as medidas existentes sejam efetivamente cumpridas e fiscalizadas pelas forças de segurança.
Em 2026, a Lei Maria da Penha completa 20 anos. Desde sua criação, houve avanços importantes na legislação, mas os dados indicam que ainda há dificuldades na prevenção e na proteção das mulheres em situação de risco.
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