Saúde • 08:02h • 22 de fevereiro de 2026
Vulnerabilidade reduz altura média de crianças indígenas e nordestinas
No Sudeste, Sul e Centro-Oeste, sobrepeso é o que chama mais atenção
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1
A vulnerabilidade social tem impacto direto no crescimento infantil no Brasil. Um estudo com participação de especialistas do Fiocruz Bahia aponta que crianças indígenas e de estados do Norte e do Nordeste, com até 9 anos, apresentam média de altura menor do que a observada em outras regiões do país e abaixo dos parâmetros da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Segundo os pesquisadores, fatores como dificuldades de acesso à saúde, alimentação inadequada, maior incidência de doenças, baixo nível socioeconômico e condições ambientais precárias prejudicam o desenvolvimento. Ao mesmo tempo, essas vulnerabilidades não protegem contra o excesso de peso: cerca de 30% das crianças brasileiras têm sobrepeso ou estão próximas dessa condição.
A pesquisa analisou dados de cerca de 6 milhões de crianças de famílias inscritas no Cadastro Único, cruzando informações do Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (Sinasc) e do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), acompanhando peso e estatura desde o nascimento até os 9 anos.
Os resultados mostram que, embora o crescimento em altura acompanhe, em média, os padrões internacionais, o peso tem avançado acima do esperado em várias regiões. No Sul, por exemplo, 32,6% das crianças apresentam sobrepeso e 14,4% obesidade — os maiores índices do país. No Centro-Oeste, as taxas são de 28,1% e 13,9%, respectivamente. Já no Sudeste, 26,6% têm sobrepeso e 11,7% obesidade. No Nordeste, os índices chegam a 24% e 10,3%, enquanto no Norte são 20% e 7,3%.
De acordo com o pesquisador Gustavo Velasquez, líder do estudo, não há um cenário generalizado de subnutrição, mas sim um crescimento linear adequado acompanhado de aumento preocupante do excesso de peso em algumas populações. Ele destaca que fatores desde a gestação até a infância, além do consumo crescente de alimentos ultraprocessados, ajudam a explicar o avanço da obesidade infantil.
O estudo foi publicado na revista JAMA Network em janeiro de 2026 e recebeu comentários internacionais ressaltando que, embora o problema no Brasil ainda seja menos grave do que em outros países latino-americanos, a tendência exige atenção e políticas públicas voltadas à promoção de alimentação saudável e redução das desigualdades sociais.
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